Entrega-me o cabresto, oferecendo os cabelos e deixa eu domar essa rebeldia de mostrar vaidades, desejos e vontades que no mato, no carro ou na cama não conseguem mais te saciar.
Bandeirante sem medidas na busca daquilo que te sustenta, morder o pescoço, sugar o seu gosto, essa incontinente bebida que do ventre desprende só me alimenta.
No meio dos seios sequestra sorrisos, a boca te morde, as pernas te faltam, sussurros sem nexo, um disco quebrado, vira de costas, o corpo se mostra e vira de lado.
Sufoco sua infiltração aparente, suor da alma, ranger de dentes, mãos e pernas não entendem tal contenda, seu corpo, minha oferenda, nada que faço freia sua emoção.
O tempo passa e esse sentimento se arrasta pelos lençóis, ganha o frio das paredes, vence a gravidade, sente o gosto da liberdade de se prender a mim com os pés fora do chão.
Pêndulo humano, minha vida se esquece do mundo no calor do abraço que sufoca, morde a orelha e pernas me prendem ao dançarem valsas de uma só nota.
Coração em descompasso no compasso da sua fúria contra os pelos e apelos que me vestem, o colo se oferece, a voz te abandona e o corpo falece.
Desconhece limites, parâmetros e raízes, deixa esse gosto, na pele esse cheiro, no corpo, no quarto, por todo lugar que passo, você sempre está.

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