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terça-feira, 16 de julho de 2013

Só trago a fumaça.

Não há nada para reclamar, e isso me faz pensar em por que ainda mantenho esse blog . Da vida que levava, só trago a fumaça. Não fiquei rico, não matei ninguém, mas a vida se tornou uma coisa ótima. Quando iniciei essa página (ou seja lá como diabos você preferir chamar isso), não poderia nem de longe sonhar que o título que aleatoriamente escolhi, se tornaria 
minha realidade. Isso me mostra que não importa o que você faça, ou o quanto corra, não dá pra fugir do que é para ser seu. Se a tristeza era o combustível de todas as arrastadas palavras que joguei por aí, agora sou um tanque vazio. Não me importo mais. Não me arrependo das decisões e das escolhas que me trouxeram para tão longe, na verdade, sinto todos os minutos do dia que meu lar sempre foi aqui  . Não vou voltar, não vou escrever se não houver motivo, e muito menos reclamar.
De agora em diante o que me resta e me anima, é escrever a história da minha vida, não mais no papel ou no computador, mas sim no dia a dia, junto daqueles que ousarem acompanhar meu caminho.


(Eu sempre soube que nasci para transformar a dor, em arte.)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Sugar e ser sugado pelo amor



Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.





A língua lambe


A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.


E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.





A castidade com que abria as coxas


A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.


Ah, coito, coito, morte de tão vida,

sepultura na grama, sem dizeres.

Em minha ardente substância esvaída,

eu não era ninguém e era mil seres


em mim ressuscitados. Era Adão,

primeiro gesto nu ante a primeira

negritude de corpo feminino.


Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.





Mimosa boca errante


Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.


Boca mimosa e sábia,

impaciente de sugar e clausurar

inteiro, em ti, o talo rígido

mas varado de gozo ao confinar-se

no limitado espaço que ofereces

a seu volume e jato apaixonados

como podes tornar-te, assim aberta,

recurvo céu infindo e sepultura?


Mimosa boca e santa,

que devagar vais desfolhando a líquida

espuma do prazer em rito mudo,

lenta-lambente-lambilusamente

ligada à forma ereta qual se fossem

a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,

oh chega, chega, chega de beber-me,

de matar-me, e, na morte, de viver-me.


Já sei a eternidade: é puro orgasmo.





Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça


Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.


Hoje não estás nem sei onde estarás,

na total impossibilidade de gesto ou comunicação.

Não te vejo não te escuto não te aperto

mas tua boca está presente, adorando.


Adorando.


Nunca pensei ter entre as coxas um deus.


Carlos Dumont de Andrade

TEMPESTADE

As notas da tempestade ecoam contínuas
Não há desgosto mas sequer existe sabor
Desertos tornaram-se as ruas
Escondida em sua concha esquecida do valor

Eu sei palavras aguçadas
Sangraram os sonhos
Clamores abafados
Redesenharam anjos em demônios

Aqui estão meus olhos e ouvidos
Sei que está acordada
Perceba o que vejo
Ouça o toque, o canto, a alvorada

Consegues me ouvir?
Já se foram as intempéries
Não se permita iludir
Lembre-se de quem és

Vem, há uma canção desejo te apresentar
Tão meiga que jamais esqueci
Tão ardente ao ouvir que sem palavras emudeci
Vem, deixe te mostrar a doce cantiga, o som
Da flauta de teu olhar.

SOU BRUXA

Eu sou uma Bruxa
“O universo é meu caminho...
o amor, a minha lei...
a paz, o meu abrigo.
A experiência, a minha escola...
a dificuldade, o meu estímulo...
o obstáculo, a minha lição...
a Sabedoria, meu objetivo...
a compreensão, minha benção...
o equilíbrio, minha atitude...
a perfeição, minha meta...
a plenitude, meu destino.”

ARMADILHAS

Aqui venho descrever os males da carência
Que podem derrubar a mulher mais forte
Mudando os rumos da sua sorte
Vivendo enfim em ignorante demência

Chega de mansinho o galante encantador
Com palavras doces e melosas
Deixando as mulheres mais secas em dengosas
Com seu ardil de “Dom Juan” conquistador

Tantas caras e bocas agem a seduzir
Tantas palavras de amor a engodar
A solitária mulher que quer se entregar
Deixa-se por qualquer amante a conduzir

E vai a pobre coitada acreditando ser amada
Por alguém que também quer apenas o prazer
Aproveitar o que a natureza tem a oferecer
Do corpo de uma mulher apaixonada

Mas de “Casanovas” o mundo anda cheio
Homens que conquistam sem compromissos
De deveres honrados são omissos
De magoar corações não tem receios

Mas quando a presa já é sua
A mulher cai na realidade
Homem conquistador na verdade
Vira a página depois que te tem nua

E assim a carência te cega sem dó
E te leva a um mundo irreal
Onde o amor é surreal
E mais tarde se vê totalmente só

FELINA

E eu sou bem assim... felina!
Vejo além do que muitos olhos vêem...
Sou meio preguiçosa, mas quando começa a bater a fome vou à caça.
Cuido das minhas crias... portanto viro leoa quando mexem com elas.
Sou meiga, porém arisca, não dou confiança pra quem não confio.
Quando sei que gostam de mim, dou carinho, atenção e sou leal até morrer... 
mas quando tenho minhas dúvidas, geralmente não chego nem perto.
Sou graciosa e carinhosa, mas tenho unhas e dentes bem afiados...
Gosto de brincar, mas brincadeira tem limite.
É eu sou bem assim, meio gato, meio mulher, mas totalmente felina.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Quando tu aqui, já não me encontrares!

Mesmo que os meus olhos se fechem
E os meus braços já não te abracem
As minhas mãos já não te acariciem
E a minha boca se cale para sempre
Lembra-te que... Um dia, eu aqui passei
Fazendo da tua vida uma eterna magia
Entre choros, entre delírios e os desafios
Porque juntos nós escrevemos uma história
Plantamos uma árvore e criamos os filhos
Mesmo que fosse ao desafio da paciência
Nós seguimos o destino, cientes da espera
Que não é tão doce como sempre se espera
Pois a nossa mente... Ainda é tão jovem
Mas... o nosso corpo já não nos responde
Como outrora, logo a gente larga um sorriso
Para que a tua essência não se preocupe
Porque são as coisas naturais da nossa vida
Onde tudo tem um inicio e sempre um fim!
E não chores, não lamentes e apenas sente
Aquela doce saudade dos nossos tempos juntos
E se tu sentires uma brisa te acariciar, calma!
Sou apenas eu... Meu amor... Sou apenas eu!
Pois só assim eu matei de ti a minha saudade..